segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Quando me param a perguntar o que é deus, 
eu costumo achar que ele é menos que nada. 
E que esse deus que carregamos conosco, é um deus das palavras.
E que existem dois deuses : o que existe, e o que não existe:
dizemos acreditar no que existe, mas isso é em si uma contradição.
Pois não se acredita no que existe. O que existe não necessita crença.
Julgamos crer num deus feito de palavras, esse que existe em imagens, em formas
em sons, em cores. Ele é o Conjunto, um acervo divino.
Nele supostamente acreditamos. E é aí que se encontra a ilusão. 
Pois não percebemos que o verdadeiro deus
é o que não existe. Ele se encontra no estado de totalidade
e sendo tudo, é portanto nada, pois nada mais há além do tudo. 

Não há nada para se comparar a tudo. Pois o tudo é a totalidade de todos os fenômenos.
Ele é qualquer coisa que vc queira chamar, pois enquanto o chamar,
vc não terá tudo. Vc terá apenas partes. E é isso o que fazemos: cultuamos as partes.
Elas nos dão um sentido para continuar, e
como crentes que somos, continuamos.
Cultuamos as palavras, juntos, 
mas nenhum deus. 
Apenas o sistema  fechando em si mesmo.
Essa é a verdade. Mas ela não é tudo, tampouco. É mais um nada. 
Vc ja viu algo que não fosse nada?
Imagina como seria o nada. O zero. Aí você se aproxima de um vislumbre, e talvez isso seja o suficiente,
por ora. Até que as decepções, do amor e do trabalho, recaiam sobre ti de novo.

Até que reconheças o paraíso e o inferno que é viver de novo e de novo. 

Até lá, deus estará contigo.

a m é m.


G.L 05/14

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